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        - E foi assim que tudo terminou?
        - Foi, acho que ficou bravo comigo, deu um sorriso e disse adeus. Mas agora eu já esqueci, nem sei mais como era o rosto e o que falou...

         É que à época não havia isso que chamamos de memória. Você pode achar que é desagradável, mas tem também seu lado bom. Depois que a gente faz algo de errado, não precisa se culpar. Mas há seu lado ruim, uma vez ouvi de alguém uma história bem assim...

          Chorando ele se levantou. E decidiu que não ia pensar no assunto. E levantou-se e saiu de casa. Já apenas com o sal que restou em sua face ele colocou os óculos de Sol. Decidiu que também não veria brilho nenhum.
              Quando me disseram que aquela bola amarela no meio do pano escuro (que chamam de noite) tinha o nome de Lua, eu pensei que fosse mentira.
Dizem que vive, ali sob a Baía de Guanabara, um 'pequeno se'. A ressaca do mar, segundo dizem, é a saudade que sente de um grande amor.

Em frente à Baía de Guanabara é que se conheceram, meio por acaso, dizem...
Para se desculpar dos erros todos ele comprou flores. Para sentir-se menos culpado ele chorou de lado. Sorriu um sorriso amarelo, esperado. Sabia que dessa forma seria perdoado.
"Deixe-me ir, preciso andar." E com essas palavras levantou-se ela num sobressalto e vestiu seu nu mais bonito. E sorriu uma cantiga de ninar. E seu caminhar ganhou um suave balanço.
O dia estava ensolarado. O Carro empoeirado e a carta ali, surrada. Leu como se fosse secreta. Riu como fosse surpresa. Chorou como se importasse.




Ele sentou e se olhou. Sua barba havia crescido. Pensou que se sua alma tivesse metade do tamanho dela, então ele teria que passar um bom tempo no purgatório. Riu. Não era católico nem acreditava naquelas besteiras de vida depois da morte. Não podia mesmo esperar outra coisa dele. É difícil se preocupar com a vida depois da morte quando a própria morte mora em sua geladeira. Ou quando não se tem uma geladeira.

Ela se pintou e se arrumou, havia de ser hoje. Há dois meses que ela planejava o passeio com seu filho. Não queria se despedir, mas, sendo inevitável, que pelo menos ela se entendesse com ele. Pelo menos hoje.
Ele se arrumou como de costume. Sua mãe lhe diria que não se arrumou. Mas não hoje. Hoje era dia de ser paparicado. Talvez por isso vestiu sua melhor roupa.
Andava pelo passeio. Passeava andando na rua. Era noite. Tinha lua. E lá, no umbigo do mundo, perto, bem próximo ao muro, o Sol também já não brilhava. Nada de estranho. Um estranho a andar.
Era uma vez um planeta chamado Terra. O século é XXI. O ano é 2009. O acontecimento?
Vestido deste modo o menino só poderia pensar isso mesmo, concluiu o velho, como numa sentença. Ainda assim lhe parecia um exagero o horror do garoto. Eram os novos tempos, sentenciou novamente.

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